E s c r e v e r



A escrita clara, definindo o pensamento, o ponto de vista do autor e os sentires únicos transferidos para o papel é agradável mas reconheço que há temas quase impossíveis de retratar em textos mais ou menos curtos.
Insubstituível no relato de factos, nas notícias, na expressão de opiniões concretas e no escrever de crónicas, encontram-se lacunas quando se pretende levar o leitor a um pensamento mais profundo convidando-o à meditação e ao desenvolvimento de sentires.
Dizer muito em pequenas frases encontra-se apenas ao alcance de alguns, verdadeiros génios.

As variantes que requerem versatilidade linguística sujeita a regras levam à criação de poesia mas mais uma vez encontram-se dificuldades de expressão para os pensares, porque poetas há que não conseguem colocar no papel o belo que lhes vai na alma.
A escrita é algo vivo e como tal está em permanente mutação. Assim é possível simplificá-la, mudá-la de forma, adulterar a sua estrutura aos olhos dos filólogos conservadores.

Escreve-se com pontos fora do sítio, com traços, com reticências que prolongam frases, inventam-se palavras aparentemente sem significado mas que passam ideias. Distorce-se a escrita, arrepiam-se os puristas, mas o que importa é passar o pensamento.
A escrita é uma arte, a expressão do individual, o amar o próximo. É subir aos céus ou descer às profundezas do inferno. Se é possível admirar a pintura abstracta e os sentires que nos transmite porquê condenar uma escrita de formas distorcidas tal como ela nos é mostrada?

É esta revolução da escrita que se encontra tanto nas ruas da blogosfera. São letras de cor e tamanho diferente, são traços, pontos e virgulas, pontos de exclamação e interrogação em profusão e o parecer nada dizer dizendo tudo.
Conhecem-se autores, uns compreendem a escrita, outros não. Maravilham-se uns, escandalizam-se outros. Procurando parecer bem, imitam-se estilos e tenta-se colar uma escrita que se aprecia àquilo que se quer exprimir. A falta de genuinidade e a preocupação com o bem parecer aos olhos de quem lê, faz com que algo que pode ser belo se transforme em escrita sem sentido e desprovida de beleza.

Devemos escrever como o fazemos melhor, exprimir pensares genuínos sem preocupação com estilos ou querer parecer bem. Sem procurar o protagonismo ou o envaidecimento do ego porque a beleza concentra-se na simplicidade da alma. Cada um é génio para além do que pensa ser. O segredo está em saber libertar-se do mundo que o rodeia e registar no papel a genuidade daquilo que se pensa. Daquilo que se é.



Dos gatos e dos Humanos


Ninguém sabe onde começam e onde acabam as semelhanças. O certo é que entraram no quotidiano do povo. Homem bonito é um gato e mulher bonita é uma gata. A beleza humana comparada à destes animais meigos de pêlo macio e suave.

Até na SIDA as semelhanças são mais do que muitas. Os vírus que provocam a destruição do sistema imunitário actuam de forma semelhante e pertencem à classe dos retrovirus, possuindo o seu habitat natural em cada espécie.
As formas de transmissão são as mesmas ou semelhantes. O estigma da doença nos humanos foi transferido para os gatos e na impossibilidade [por muitos desejada] de morte aos infectados humanos, levantam-se as vozes que clamam o abate dos gatos com sida.

Por outro lado, “matam-se” os humanos com a discriminação e o apontar do dedo que julga e castiga. Rotulam-se com adjectivos depreciativos existentes ou inventados. Criam-se tensões tais que levam alguns que as não conseguem suportar a porem termo à própria existência.

Morre-se na solidão e na vergonha de um erro cometido igual ao acto que dá origem à vida: o de fazer amor. O esperma e o sangue, elementos essenciais à vida e que estão na sua origem são transformados em demónios e prenúncio de morte. Um crime hediondo visto por muitos como uma condenação perpétua sem perdão ou atenuante
Forjam-se criminosos de seringa em punho com sangue infectado, como se de uma pistola se tratasse, mudando apenas uma letra na frase conhecida “O dinheiro ou a [V]SIDA” .

Homens e Gatos, destinos semelhantes numa doença que não é perigo para ninguém, diz a ciência - e que tem formas definidas de transmissão, as quais são facilmente evitáveis.
Felizes os Gatos que como o Simão têm os dedos dos donos feitos para acariciar e o seu amor que os cuida e mima.
Infelizes os homens que na sua complexidade e independência sentem os dedos apontados, tantas e tantas vezes disfarçados de compreensão e tolerância não sentida.

Sentires sem sentido e medos que não causam temor com origem na ignorância. Razões sem razão para existirem, mas que por absurdo que pareça existem sem razão.




Simão

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Tenho uma amiga que escreve maravilhosamente bem. Pedi-lhe para me escrever um conto e surpreendeu-me com uma bela história sobre um gato sidoso. Sim, porque os gatos também têm SIDA, assim como os macacos, uma doença que lhes destroi o sistema imunitário provocada por virus diferentes mas de alguma forma semelhantes ao VIH humano.

Uma história veridica que nos mostra a Arte de Amar, e que vale a pena ser lida.

Uma história que revela a capacidade que o ser humano tem para amar e a dificuldade e barreiras encontradas entre seres da mesma espécie para que se mostre.

Obrigado Lidia por este presente que me dás.

Do amigo mais irreverente e controverso que podias encontrar.

Raul Rudoisxis



Foi encontrado não sei bem como num dia qualquer. A minha nora e o meu filho sempre conseguem descobrir animais abandonados particularmente carentes e fragilizados. Foi assim que me trouxeram um cão que o hoje é a meu mascote e foi assim que descobriram o Simão, um gatinho meigo e listrado que não resistiram em acolher.

Porém, tal como as pessoas, também o Simão tinha uma história inscrita no seu percurso de vida. Uma história que deixou a minha nora petrificada quando, após a adopção derivada daquele amor instantâneo que se entrega e protege, o veterinário lhe revela que o Simão tem FIV (sida dos gatos) e que, por isso, será um gato mais fraco que os restantes e, naturalmente, segundo ele, um perigo para o convívio dos outros gatos a quem poderia transmitir a doença através dum arranhão.

Para quem gosta de animais e percebe a luta interior da minha nora que por um lado não quer abandonar o Simão à sua sorte mas, por outro, receia prejudicar os outros gatos que já tem em casa, o problema não se afigura fácil de resolver.
Consultados dois ou três veterinários e recebendo a sugestão de que não deveria adoptar o Simão, a minha nora não se conformava em largar o gato à sua sorte. E eu própria a incentivei a ficar com ele e lhe falei para não ter remorsos se houvesse um contágio. Afinal quanto risco se corre enquanto se está vivo e quantas presenças perigosas se suportam só porque não as identificamos como perigosas?

E foi assim que o Simão se integrou num lar onde foi amado e protegido, sem discriminações nem receios infundados.

E o Simão era um doce que parecia perceber que aquelas pessoas não eram como muitos humanos que inferiorizam os mais fracos. O Simão dava o seu melhor para corresponder a tanto afecto. Porém, passados uns quatro anos, a doença começou a fazer estragos. E sempre os donos procuram as melhores soluções veterinárias e até aqueles mimos que só se dão a felinos doentes como sejam uns bons camarões cozidos que fazem as delícias do Simão.

Hoje o meu filho telefonou-me aflito para, mais uma vez, ir com o Simão ao Hospital Veterinário.
Poderá haver muitos gatos neste mundo mas Simão é apenas este. Ele é único nos afectos e teve a sorte de não ser humano. Ele é amado e tem quem procure as soluções mais dignas para o seu declínio.

Porque será que com os humanos é tudo tão difícil? Porque se levantam tantas vozes e tantas interrogações? Porque é tão frio o vento que fustiga?



Há um gato chamado Simão. Tem Sida e é feliz porque é amado. Não tem medo da doença porque as mãos dos donos não têm dedos que apontam e fizeram-se para afagar.
O Simão está doente mas aguarda um camarão e só por essa expectativa justifica estar vivo.




Arte nas mãos



Quando a Arte pelas mãos se converte em magia e nos transporta para o maravilhoso mundo dos sentidos...

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A Escolha




Houve um homem que viveu toda a sua vida praticando o bem, amando o seu próximo e era querido e amado por todos.
Quando se aproximava a hora da morte, os seus amigos disseram-lhe que ia para o paraíso que era o seu lugar. Ir para o paraíso não era importante para esse homem, mas como os amigos lhe tinham dito que era o seu lugar dirigiu-se para lá após a sua morte.

S. Pedro estava ocupado e foi atendido por uma assistente que verificou todas as fichas de entrada e o seu nome não estava lá. Aconselhou-o a dirigir-se para o inferno pois lá decerto iriam aceitá-lo sem problemas.
Despreocupadamente dirigiu-se para o inferno e mandaram-no entrar sem pedirem qualquer referência ou identificação.

Passado um tempo, Lúcifer, o senhor dos infernos começou a observar a sua actividade e ficou furioso. Foi ao Paraíso tirar satisfações a S. Pedro e disse-lhe:

- Você é um canalha e nunca pensei que fosse capaz de uma sacanice como a que me fez. Isto é uma declaração de guerra.

Sem compreender a razão da raiva de Lúcifer, S. Pedro pediu-lhe que o esclarecesse.

-Você mandou para o inferno aquele homem e ele está a fazer a maior confusão por lá. Olha as pessoas nos olhos, ouve-as e conversa com elas. Agora estão todos a abraçar-se, a beijarem-se e a conversar. O inferno está insuportável e mais parece o paraíso. E em tom de súplica disse: - Pedro, por favor tire-me aquele homem de lá.



Os problemas fazem parte da nossa vida, porém não podemos deixar que eles nos transformem em pessoas amarguradas. As crises estão sempre a acontecer e às vezes parece que não temos escolha. Poderemos ter uma vida excelente e de um momento para o outro ela transformar-se num fardo duro de transportar.Uma doença súbita, a morte de um ente querido, um acidente e tantos outros motivos podem de um momento para o outro mudar completamente as nossas vidas. Não podemos escolher as crises nem quando vão chegar, mas podemos escolher a maneira como as enfrentar. Quando conseguimos encontrar a solução para os nossos problemas, para além de nos sentirmos felizes teremos orgulho de nós mesmos.


"Viva com muito amor no seu coração na certeza de que se, por engano, for parar ao Inferno o próprio demónio se encarregará de o trazer de volta ao Paraíso."

E mais lições...

Sempre gostei de contos árabes, histórias de califas e sultões e perdia-me nas mil e uma noites. Ali babá e os 40 ladrões, a lâmpada de Aladino e tantas outras que com o seu misticismo me encantaram, em criança.
Muitas delas encerram verdadeiras lições de vida. Como a que trago hoje.




Dois amigos discutiram e um deles esbofeteou o outro. Ofendido e magoado, sem nada dizer pegou num graveto e escreveu na areia do deserto:

Hoje o meu melhor amigo esbofeteou-me.

Depois fizeram as pazes e seguiram a viagem através do deserto até encontrarem um oásis. Havia um lago nesse oásis e decidiram tomar banho para se refrescarem do intenso calor, quando o que havia sido esbofeteado começou a afogar-se, mas o seu amigo puxou-o para terra firme e salvou-o.
Logo que se recuperou, pegou num martelo e num cinzel e escreveu numa pedra:

Hoje o meu melhor amigo salvou-me a vida.

Intrigado o outro perguntou-lhe a razão porque quando lhe havia batido ele escreveu na areia e agora escreveu numa pedra?
Com um sorriso disse-lhe:

Quando um amigo nos ofende, devemos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão depressa apagarão o que escrevemos. Contudo quando esse amigo faz algo grandioso por nós devemos escrever na pedra da memória do coração onde vento algum poderá apagar esse feito.

 

Dell Coupons

OBRIGADO PELA SUA PREFERÊNCIA